OPINIÃO: Proteína que move o mundo

Projeções da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) mostram que o crescimento da população mundial – que deve alcançar 9,1 bilhões de pessoas em 2050 – exigirá uma produção anual de 470 milhões de toneladas de carne, um crescimento de 59,3% levando-se em conta a produção mundial de 295 milhões de toneladas de carne em 2017. Países em desenvolvimento serão responsáveis por 72% dessa produção. Além do crescimento da população, estudos mostram que existe relação direta entre melhoria da renda do consumidor e maior demanda por proteína de origem animal. Com isso, a expectativa na melhoria de qualidade de vida e renda da população, especialmente na Ásia, na América Latina e em países da África, levará a um maior consumo de carne, leite e seus derivados.

Na contramão do aumento do consumo pela melhoria da qualidade de vida, existem, ainda hoje, cerca de 820 milhões de pessoas famintas no mundo e que precisam ter acesso aos alimentos para que se reduzam as 25 mil mortes diárias decorrentes da fome. É premente e urgente atender a demanda global por alimentos, entre eles os produtos de origem animal, dada a importância da proteína, que é essencial para o desenvolvimento da humanidade.

Para tanto, modelos de produção rentáveis, sustentáveis e que entreguem qualidade e inocuidade – independentemente do tipo de produto, do tamanho da propriedade e da escala de produção – serão cada vez mais indispensáveis. O Brasil possui tecnologia e inovação em cadeias produtivas e?cientes que conferem a ele vantagens competitivas e que o projetam para um protagonismo num futuro promissor.

IMPORTÂNCIA DA CRIAÇÃO A PASTO

No que se refere às cadeias de carne, leite e seus derivados, a qualidade das nossas pastagens é estratégica na e?ciência da produção animal no Brasil. A produção a pasto garante a higidez sanitária e mitiga problemas importantes, como as encefalopatias espongiformes transmissíveis – entre elas, a doença da vaca louca –, consideradas doenças de grande impacto sobre a economia dos países produtores de proteína de origem animal, com repercussões preocupantes para a segurança alimentar mundial.

A produção a pasto é estratégica até mesmo para garantir que o Brasil seja reconhecido e se mantenha com risco insigni?cante de doença da vaca louca junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). E, após décadas de aplicações de programas de prevenção e controle, o País foi reconhecido, em 2018, pela OIE como livre de febre aftosa com vacinação e ruma para ser, em 2025, livre sem vacinação. É mais uma grande conquista da pecuária nacional.

Agroanalysis/FGV